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Um casal pode passar por várias fases durante o período de convívio. Crianças nascem, crescem e seguem as suas próprias vidas. A vida profissional pode passar por transformações, doenças, mortes, casamentos, etc. Transitar neste processo evolutivo requer atenção e muito trabalho, e é comum surgir conflitos que aparecem para nos aliviar da dor muitas vezes insuportável de assumirmos a responsabilidade pelas nossas fragilidades, dificuldades e diferenças.

De acordo com Gudrun Burkhard, o início de cada casamento tem uma história e é a chance de conhecimento profundo entre duas pessoas passando por fases e ritmos que podem exigir transformações. Em torno dos sete primeiros anos de convivência, as diferenças mútuas tornam-se aparentes.

No segundo ciclo do casamento, após os sete primeiros anos, inicia-se a luta por uma independência maior, necessária e saudável, o que possibilita o crescimento da anima no homem (sua estrutura feminina) e do animus na mulher (sua estrutura masculina). A separação das individualidades permite a integração do anima e do animus em cada um dos pares tornando viável o surgimento de um novo relacionamento sustentado no amor verdadeiro e no companheirismo, aprofundando a relação. Porém se ambos estiverem voltados apenas para seus próprios projetos, pode ocorrer um grande distanciamento.

Em um terceiro momento, pode ocorrer uma crise semelhante à da adolescência. É um momento de superar a rotina, desgastes e o vazio. O olhar crítico para o outro é muito presente, como se o outro fosse responsável pela situação vivenciada. Os valores são questionados. A consciência da relação ganha um sentido muito mais amplo, sendo necessário o respeito ao espaço interior de cada um dos parceiros. A maturidade nesse momento é maior, e ajuda o crescimento do amor espiritual, permitindo contribuir para o desenvolvimento do outro, porém com a coragem de defrontar-se com o seu próprio interior e buscar o seu espaço físico, anímico e espiritual. A autenticidade se faz necessária.

Na fase seguinte por volta dos 42 aos 49 anos de idade, acontecem algumas alterações físicas no homem e na mulher onde as forças vitais começam a ser liberadas e geram alterações na sexualidade. Alguns ditados populares traduzem esse momento como “a idade da loba” ou “o homem troca a mulher por duas de vinte”. Muitas separações ocorrem nessa época. A anima não desenvolvida provoca no homem a sensação de rejeição e vingança projetando a culpa desses sentimentos na parceira. Por outro lado, o animus não desenvolvido poderá deixar a mulher impedida de manter o diálogo na relação demonstrando autoritarismo, disciplina e ordem exacerbada.

Posteriormente entre os 49 e 56 anos de idade o casal vivencia a andropausa no homem e se têm filhos, possivelmente estes já se tornaram independentes. Surge também a questão da aposentadoria que pode trazer uma maior liberdade para a relação. Se não superaram a fase das críticas dirigidas ao parceiro em função das projeções de partes alienadas de si mesmo, agora as implicâncias tornam-se ainda maiores.

A partir dos 56 anos as limitações físicas vão se intensificando, porém o amor, o companheirismo, a solidariedade vão consolidando a relação principalmente para aqueles que vivenciaram satisfatoriamente a si mesmos como um ser inteiro integrando anima e animus.

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